Escola de Teatro Célia Helena Notícias Tônia Carrero foi imensa para o teatro; conheça outras nove mulheres de peso nas artes cênicas

Tônia Carrero foi imensa para o teatro; conheça outras nove mulheres de peso nas artes cênicas

Atriz, que morreu no último sábado no Rio de Janeiro, esteve à frente de duas companhias de teatro

No último sábado, 3 de março, o Brasil se despediu de uma artista de peso para as artes cênicas nacionais — e, ao mesmo tempo, comemorou a sorte de ter presenciado suas grandes contribuições para o teatro e para a TV. Tônia Carrero nos deixou aos 95 anos, no Rio de Janeiro, após uma parada cardíaca decorrente de uma cirurgia.

Nascida no mesmo Rio, em 1922, Maria Antonietta Portocarrero decidiu passar uma temporada em Paris aos 27 anos. A razão? Estudar teatro, após ter concluída a formação em educação física. Voltou como Tônia Carrero, com um currículo repleto de aulas com grandes figuras internacionais das artes cênicas, como o ator Jean-Louis Barrault.

Integrante de coletivos importantes para a arte brasileira da década de 1950, Tônia brilhou nas peças Teatro Brasileiro de Comédia e nos filmes da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Em 1955, junta-se a Paulo Autran e Adolfo Celi na companhia Celi-Tônia-Autran. Era um ensaio para o que viria acontecer dez anos depois: a criação da Companhia Tônia Carrero”.

“Tônia é parte de uma constelação de mulheres incríveis no Brasil, um dos poucos lugares onde a mulher pode liderar nas artes cênicas”, diz Lígia Cortez, diretora do Teatro Escola Célia Helena. Ela lembra com carinho do espetáculo “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, de 1978, em que Tônia mostrava suas grandes qualidades de atriz, dividindo o palco com Raul Cortez sob a batuta de Antunes Filho.

Assim como Tônia, outras atrizes brasileiras estiveram à frente de companhias de teatro. Relembre essas mulheres poderosas, que já viviam sua independência em um mundo majoritariamente dominado por homens.

Dulcina de Moraes (1908 – 1996)

Talvez dona da estreia mais prematura da história do teatro, Dulcina de Moraes sentiu o gosto de estar no palco com um mês de vida: em um berço, ocupava o lugar que antes era de uma boneca. Em 1935, junto ao marido Odilon Azevedo, fundou a companhia Dulcina-Odilon, apresentando ao público brasileiro autores estrangeiros então desconhecidos, como o espanhol Federico García Lorca e o irlandês George Bernard Shaw.


Cacilda Becker (1921 – 1969)

Cacilda era daquelas atrizes que não tinham outra saída senão a dedicação ao teatro. Em sua carreira, passou por diversas companhias de teatro, tendo trabalhado com Bibi Ferreira e Décio de Almeida Prado. Em sua passagem pelo Teatro Brasileiro de Comédia, exige ser contratada como atriz. Em busca de liberdade artística, fundou a Companhia Cacilda Becker, produzindo espetáculos marcantes como “Esperando Godot”. Foi nesta peça, aliás, que Cacilda sofreu um derrame, morrendo cerca de um mês após.

Maria Clara Machado (1921 – 2001)

Mineira radicada no Rio, Maria Clara Machado é muito festejada pelo seu legado como dramaturga, mas sua importância não para por aí: foi ela a fundadora d’O Tablado. O projeto começou em 1951 como uma companhia de teatro amador. Com o tempo, o grupo deu origem a uma escola de teatro — até hoje, uma das mais relevantes do Rio de Janeiro, tendo Marieta Severo e Andréa Beltrão entre seus alunos.


Bibi Ferreira (1922)

Com aparições recentes no teatro, Bibi tem, atualmente, sua vida contada em um musical. Também, pudera: trata-se de uma biografia espetacular. De atriz mirim no Rio de Janeiro, onde nasceu, Bibi criou sua própria companhia em 1944, unindo bambas da época como Cacilda Becker e Maria Della Costa. Seguiu sua carreira atuando e dirigindo, tendo conquistado dezenas de prêmios.

Nydia Licia (1926 – 2015)

Italiana radicada no Brasil, Nydia Licia era um dos destaques do TBC nos áureos tempos do grupo. Depois de se casar com o ator Sérgio Cardoso, fundou a Companhia de Teatro Nydia Licia-Sérgio Cardoso, projeto que ela passou a administrar sozinha após divórcio. As montagens do grupo tiveram grandes sucessos. Entre eles, “Hamlet”, clássico de Shakespeare, e “Chá e Simpatia”, de Robert Anderson.

Maria Della Costa (1926 – 2015)

A exemplo de outras mulheres do teatro, Maria Della Costa também se juntou ao marido — o ator Sandro Polloni — para criar uma companhia. O Teatro Popular de Arte estreou em 1948 com a peça “Anjo Negro”, de Nelson Rodrigues. Seis anos mais tarde, o grupo inaugurou um espaço próprio, que também leva o nome da atriz e está em funcionamento até hoje.

Fernanda Montenegro (1929)

Tendo começado sua carreira no rádio e tendo sido a primeira atriz contratada pela TV Tupi, Fernanda Montenegro foi, e é, um marco no teatro brasileiro. Em 1959, depois de trabalhar na companhia de Maria Della Costa, Fernanda funda a Companhia dos Sete. Com ela, Sérgio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli, Alfredo Souto de Almeida e Fernando Torres.

Ruth Escobar (1935 – 2017)

Ruth nasceu em Portugal, mas aos 16 anos chegou ao Brasil para construir uma respeitada carreira nas artes cênicas. Depois de uma breve passagem pela França para fazer cursos de teatro, ela monta, na década de 1960, a companhia Novo Teatro, ao lado do diretor Alberto D’Aversa. Pouco depois, levaria o teatro à periferia paulistana por meio do projeto Teatro Popular Nacional. Na mesma década, inaugurou o teatro que leva seu nome.


Célia Helena (1936 – 1997)

A atriz que dá nome ao Teatro Escola Célia Helena também teve peso nas artes cênicas: não à toa, a instituição é reconhecida como uma das mais potentes escola de teatro de São Paulo. Em 1972, Célia cria a Companhia Teatro Didática — uma forma de aplicar a arte na educação, uma semente do que viria a ser a escola de teatro futuramente. Anos depois, a artista fundou a Célia Helena Produções Artísticas, que estreou no emblemático teatro no bairro da Liberdade, em São Paulo.

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