“A formação do ator deve contemplar além do conteúdo técnico, também um pensamento crítico, criativo e ético, determinante e historicamente parte do ofício de um artista-criador”.

Célia Helena

Célia Helena, atriz, diretora e pedagoga (1937-1997), nasceu em São Paulo e, aos 16 anos, por não poder cursar a recém criada Escola de Arte Dramática – EAD, iniciou seus estudos com Ruggero Jacobbi, diretor italiano, responsável por ministrar um curso de atuação para cinema.

Em 1953, estreou no cinema e, nesse mesmo ano foi convidada para integrar o elenco de Inimigos Íntimos, de Barillet e Grèdy, com direção de Adolfo Celi. Uma produção da primeira companhia estável do Brasil, o Teatro Brasileiro de Comédia – TBC. Artista ímpar e atuante, participou dos principais movimentos de vanguarda e renovação do teatro brasileiro da década de 1960: Teatro de Arena, Opinião, Oficina.

Em 1972, paralelamente à atividade como atriz de teatro, cinema e televisão, inicia um trabalho inovador de formação de jovens, por meio do teatro, com um propósito social e educacional. Um trabalho pioneiro, baseado na experiência teatral como instrumento para a expressão da individualidade e troca de saberes para a formação da cidadania, desenvolvimento pessoal, formação humana e cultural.

Em 1977, o trabalho desenvolvido em comunidades no interior do Estado de São Paulo com crianças e jovens, impulsiona a criação de um espaço aglutinador e de encontro de adolescentes por meio da arte, o Teatro Célia Helena, com cursos de orientação teatral. Um lugar dedicado à criatividade, à sociabilidade, à autonomia criativa e à produção de trabalhos autorais de jovens como sujeitos pensantes e críticos.

Para garantir o reconhecimento do trabalho desenvolvido nos cursos de orientação teatral, Célia Helena, após a regulamentação do artista e do técnico (Lei 6533/78), dá início ao diálogo com o Sindicato dos Artistas e Técnicos do Estado de São Paulo e com o Ministério do Trabalho, para concessão do Registro Profissional de ator/atriz ao grupo de alunos do grupo Quem tá vivo sempre aparece. Núcleo de jovens do curso de orientação teatral empenhado em criar espetáculos alinhados às questões sociais e culturais.

Em 1983, a atriz Lígia Cortez, filha de Célia Helena, cria a Casa do Teatro, em que o curso de teatro, como linguagem múltipla, é desenvolvido a partir da interface com as linguagens das Artes da Cena: dança, música, artes plásticas, esgrima, circo, para crianças e jovens, a partir de 5 anos de idade.

Em uma iniciativa pioneira, em 1989, Célia Helena cria o curso técnico de formação de ator/atriz para jovens a partir de 14 anos, consolidando a oferta de um curso autorizado e reconhecido pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

O legado, os fundamentos pedagógicos e o ideário de criação de cursos para formação artística de jovens foram fundamentais para a continuidade, permanência e reconhecimento do Célia Helena Centro de Artes e Educação.

Para ampliar ainda mais a formação nas áreas artística e de pesquisa, em 2008 a atriz e diretora Lígia Cortez cria a Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), com o curso de graduação, bacharelado em Teatro. Como consequência natural, as ações da ESCH têm como prioridade a valorização dos estudos continuados nas modalidades de Iniciação Científica, Extensão, Pós-graduação lato sensu e sctricto sensu, com o curso de Mestrado Profissional em Artes da Cena.

PRÊMIOS

1964 - Prêmio de melhor atriz por "Pequenos Burgueses", de Máximo Gorki, no Festival Internacional de Teatro de Atlântida, Uruguai. Prêmio Governador do Estado e Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte ­ – APCA por "Quatro num Quarto", de Valentin Kataiev.

1968 - Prêmio Governador do Estado e Prêmio APCA por "As Moças", de Isabel Câmara.

1969 - Prêmio Governador do Estado e Prêmio APCA por "O Balcão", de Jean Genet.

1976 - Prêmio Molière e Prêmio APCT (Associação Paulista de Críticos de Teatro) por "Pano de Boca", de Fauzi Arap.

1986 - Prêmio Mambembe, Prêmio APCA, Prêmio da Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo – Apetesp e Prêmio Governador do Estado por Pedro e o Lobo, de Sergei Prokovief – direção de Célia Helena.

TEATRO

1953 - "Inimigos Íntimos", de Barillet e Grèdy – direção de Adolfo Celi – TBC, Rio de Janeiro

1955 - "Os Três Maridos de Madame", de Ciro Bassini – direção de Carla Civelli – Teatro Permanente das 2ªs feiras – Teatro Leopoldo Fróes
"O Prazer da Honestidade", de Luigi Pirandello – direção de Carla Civelli – Teatro de Arena
"A Ilha dos Papagaios", de Sérgio Tofano (STO) – direção de Gianni Ratto – Teatro Maria Della Costa

1956 - "Não te Assusta Zacharias!", direção de Barbosa Lessa – Grupo Folclórico Brasileiro – Excursão ao Rio Grande do Sul; em São Paulo, no Teatro Maria Della Costa

1957 - "Tragédia para rir", de Guilherme de Figueiredo – direção de Evaristo Ribeiro – Teatro Moderno de Arduini Lemos – Teatro da Federação Paulista de Futebol
- "Quando Éramos Casados", de John Boyton Pristley

1958 - "Matar", de Paulo Hecker Filho – direção de Walmor Chagas – Teatro Experimental - TBC
"Do Outro Lado da Rua", de Augusto Boal – direção de Flávio Rangel – Teatro Experimental - TBC
"O Marido Confundido", de Molière – direção de Ruggero Jacobbi – Teatro Moderno de Comédia – Teatro de Cultura Artística

1959 -em São Paulo, participando do Teatro Cacilda Becker (no Teatro Leopoldo Fróes) e em excursão ao Norte do Brasil e em Portugal (no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e no Teatro Tívoli, em Lisboa) os espetáculos:
- "Os Perigos da Pureza", de Hugh Mills – direção de Ziembinski
- "Maria Stuart", de Schiller – direção de Ziembinski
- "A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas Filho – direção de Benedito Corsi
- "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna – direção de Cacilda Becker
- "O Santo e a Porca", de Ariano Suassuna – direção de Ziembinski
- "Santa Martha Fabril S.A.", de Abílio Pereira de Almeida – direção de Ziembinski

1960 - "Boca de Ouro", de Nelson Rodrigues – direção de Ziembinski, na Cia. Rubens de Falco Dália Palma – Teatro da Federação Paulista de Futebol

1961 - "A Vida Impressa em Dólar", de Clifford Odets – direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina José do Parto à Sepultura, de Augusto Boal – direção de Antônio Abujamra – Teatro Oficina

1962 - "Um Bonde Chamado Desejo", de Tennesse Williams – direção de Augusto Boal – Teatro Oficina
- "Todo Anjo é Terrível", de Thomas Wolfe – direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina

1963 - "Os Pequenos Burgueses", de Máximo Górki direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina

1964 - "Andorra", de Max Frisch – direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina
- "Quatro num Quarto", de Valentim Kataiév – direção de Maurice Vaneau – Teatro Oficina
- "Festival de Atlântida", no Uruguai, com o repertório do Teatro Oficina.

1965 - "Os Inimigos", de Máximo Gorki – direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina

1967 - "O Estado Militarista, ou A Saída, Onde fica a Saída?", de Ferreira Goulart, Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa – direção de João das Neves – Teatro Opinião, RJ
- "Círculo de Giz Caucasiano", de Bertolt Brecht – direção de Augusto Boal – Teatro de Arena

1968 - "Um Dia na Morte de Joe Egg", de Peter Nichols – direção de Antônio Ghigonetti – Cia. Nydia Licia – Teatro Bela Vista
- "As Moças", de Isabel Câmara – direção de Maurice Vaneau – Teatro Cacilda Becker
- "O Clube da Fossa", de Abílio Pereira de Almeida – direção de Fredi Kleeman - TBC

1969/1970 - "O Balcão", de Jean Genet – direção de Victor Garcia – Cia Ruth Escobar – Teatro Ruth Escobar

1972 - "Panorama Visto da Ponte", de Arthur Miller – direção de Odavlas Petti – Teatro Cacilda Becker
"Sambão Didático – De Cabral a Isabel", de Oscar Filipe – direção de Silney Siqueira – Projeto Monteiro Lobato – em escolas

1973 - "E Deus Criou a Varoa", de Oscar Felipe e Roberto Cleto – direção de Oscar Filipe – Projeto Monteiro Lobato – em escolas

1974/1975 - "Autos Sacramentais", de Calderón de la Barca – direção de Victor Garcia – Cia. Ruth Escobar – Excursão à França, Irã e Itália

1976 - "Pano de Boca", de Fauzi Arap – direção de Fauzi Arap – Teatro Treze de Maio
- "Sétima Morada", de José Maria Ferreira – direção de José Rubens Siqueira – Teatro Ruth Escobar, escolas da Capital e do Estado e igrejas

1977 - Inauguração do Teatro Célia Helena:
"Libel e a Sapateirinha", de Jurandir Pereira – direção de Carlos Augusto Strazzer – teatro infantil no Teatro Célia Helena
"O Casamento de Natalina", de Anton Tchecov – direção de Carlos Augusto Strazzer no Teatro Célia Helena

1978 - "A Missa do Vaqueiro", de Janduhi Finizola – direção de Renato Borghi – Teatro MEC - Funarte

1980 - "A Nonna", de Roberto Cossa – direção de Flávio Rangel – Teatro Anchieta

1982 - "Numa Nice", de Caryl Churchill – direção de André Adler – Teatro ANchieta

1983 - "Rock and Roll", de José Vicente – direção de Antonio Abujamra

1984 - "Oi Vento… Tudo bem?", de Lígia Camargo Silva – direção de Célia Helena – Teatro Célia Helena

1988 - "Pegando Fogo lá Fora", de Gianfrancesco Guarnieri – Direção: Celso Nunes – Teatro Cultura Artística

1990/1991 - "Os Pequenos Burgueses", de Máximo Gorki – direção de Jorge Takla – Teatro Procópio Ferreira e teatros estaduais do Brasil

1991 - "Laços Eternos", de Zibia Gasparetto – direção de Renato Borghi – Teatro Ruth Escobar

1992 - "Luar em Preto e Branco", de Lauro César Muniz – direção de Sérgio Mamberti – Teatro Hilton

CINEMA

1953 - "Fatalidade", de Jacques Maret – direção de Jacques Maret.

1954 - "Floradas na Serra", do romance de Dinah Silveira de Queiroz, adaptação de Fabio Carpi – direção de Luciano Salce.
"Chamas no Cafezal", História de Mário Civelli, adaptação de Antônio José e Marcos Mergulies – direção de José Carlos Burle.

1971 - "Cordélia, Cordélia", da peça de Antônio Bivar, adaptação Rodolfo Nanni – direção de Rodolfo Nanni

1973 - "Anjo Loiro", do romance de Heinrich Mann, adaptação de Juan Siringo e Alfredo Sternheim – direção de Alfredo Sternheim
"A Virgem", de Dionísio Azevedo – direção de Dionísio Azevedo

1975 - "O Predileto", do romance de João Alphonsus, adaptação Roberto Palmari e Roberto Santos –direção de Roberto Palmari

1982 - "Das Tripas Coração", de Ana Carolina – direção de Ana Carolina

TV

1954 - "Teatro da Semana" (TV Paulista) - Direção: Antunes Filho

1955 - "Grandes Teatros das Segundas-feiras" (TV Paulista), textos variados - Direção: Ruggero Jacobbi

1956 - "Grande Teatro Três Leões" (TV Tupi)

1958 - "Grande Teatro Cacilda Becker" (TV Record)

1968 - "O Décimo Mandamento" (TV Tupi), de Benedito Ruy Barbosa – Direção: Antonio Abujamra

1970 - "Tilim" (TV Record), personagem Lavínia, de Dulce Santucci – Direção: Wanda Kosmo

1971 - "Editora Mayo, Bom-dia" (TV Record), de Walter Negrão
- "Pingo de Gente" (TV Record), de Raimundo Lopes
- "Quarenta Anos Depois" (TV Record), de Lauro César Muniz

1972 - "O Príncipe e o Mendigo" (TV Record), da novela de Mark Twain, adaptação Marcos Rey – Direção: Dionísio Azevedo

1975 - "Vila do Arco" (TV Tupi), personagem Severina, do romance de Machado de Assis, adaptação Sérgio Jockyman – Direção: Luiz Gallon

1976 - "Canção para Isabel" (TV Tupi), personagem Maria Carolina, de Heloísa Castellar – Direção: António Moura Mattos

1979 - "Malu Mulher" (TV Globo). Seriado, episódio: "As amigas" – Direção: Denis Carvalho

1981 - "Brilhante" (TV Globo), personagem Regina, de Leonor Bassères, Gilberto Braga e Euclydes Marinho – Direção: Daniel Filho, Marcos Paulo e José Carlos Pieri

1982 - "Campeão" (TV Bandeirantes), personagem Ester, de Jaime Camargo e Marcos Caruso – Direção: Álvaro Fugulin e Sérgio Galvão

1983 - "Sabor de Mel" (Bandeirantes), de Jorge Andrade e Jaime Camargo – Direção: Roberto Talma
"Casal 80" (Bandeirantes), Seriado – Direção: Roberto Talma

1984 - "Partido Alto" (TV Globo), personagem Izildinha, de Glória Perez e Aguinaldo Silva – Direção: Carlos Magalhães, Jayme Monjardim, Luiz Antônio Piá e Roberto Talma

1985 - "Jogo do Amor" (SBT), de Azis Bajur e José Rubens Siqueira – Direção: Antonino Seabra

1987 - "Mandala" (TV Globo), personagem Ceres Silveira, de Dias Gomes, Marcílio Moraes e Lauro César Muniz – Direção: José Carlos Pieri, Fábio Sabag e Ricardo Waddington
- "Direito de Amar" (TV Globo), personagem Violante, de Janete Clair, Ana Maria Moretzsohn, Walter Negrão, Alcides Nogueira, Marilu Sandanha – Direção: Jayme Monjardim e José Carlos Pieri

1995 - Você Decide: episódio "O Grande Homem"

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