crédito: Gabriele Araujo

Estúdio da Cena faz parte do Núcleo de Pesquisa e tem o objetivo de aprofundar, fora do ambiente escolar, o vasto trabalho artístico desenvolvido dentro da instituição. O resultado é o processo de montagem e a apresentação de um espetáculo profissional com elenco composto por alunos formados na Graduação, Teatro-escola Célia Helena e demais profissionais.

 

Ao convidar o diretor, dramaturgo e ator Renato Borghi para conduzir a próxima edição do Estúdio da Cena, a instituição mais uma vez reforça seu profundo engajamento com o ofício do ator. Não se trata aqui de garantir um papel em uma próxima montagem, e sim de vivenciar uma experiência única com Renato Borghi, cuja trajetória engrandece e enriquece há décadas o teatro brasileiro, sobre o processo de construção de personagens para um exercício cênico.

A obra escolhida por Renato Borghi será Andorra, de Max Frisch, com estreia prevista para janeiro de 2017. Confira abaixo o convite de Renato Borghi aos ex-alunos do Célia Helena:

 

“Andorra é uma obra épica de Max Frisch. Foi a peça escolhida pelo Teatro Oficina para responder ao golpe militar de 1964. O texto retrata uma sociedade que se diz branca como a neve, mas onde, perante uma invasão estrangeira, todos se revelam covardes, omissos e caçadores de bruxas. Diante da invasão inimiga, os cidadãos andorranos procuram um bode expiatório. O escolhido foi um rapaz por nome Andri, um judeu adotado por uma família da cidade e muito querido por toda a comunidade até aquele momento. Porém, com a ameaça da invasão nazista, o rapaz passa a ser estigmatizado e perseguido pelos amigos e vizinhos de outrora. Andri acaba fuzilado e amputado pelos nazistas em praça pública, diante do silêncio dos moradores de Andorra.

 

Era a peça perfeita para responder ao golpe. Uma das máximas de Andorra era: "Quando se tem mais medo da mudança do que da desgraça, o que fazer para evitar a desgraça?” Essa peça foi um dos primeiros sucessos do Teatro Oficina, permanecendo anos em cartaz. 

 

Com Andorra ganhei o primeiro prêmio Molière de minha carreira. Hoje, convido os ex-alunos do Célia Helena a participarem da montagem desta peça, que será dirigida por mim. Eu os convido para viver essa aventura comigo em mais um momento bastante significativo para o país. Representar é um dos maiores prazeres do homem”.

 

SOBRE RENATO BORGHI

Vencedor de três prêmios Molière e todas as outras grandes honrarias da cena brasileira, nas diversas modalidades: ator, dramaturgo, diretor e pesquisador. Fundou o Teatro Oficina (1958), juntamente com José Celso Martinez Corrêa, onde realizou trabalhos que marcariam para sempre o teatro brasileiro: Pequenos burguesesAndorraRei da velaGalileu Galilei e na Selva das cidades. Nos anos 70, fundou o Teatro Vivo com Ester Góes e, juntos, produziram: O que mantém um homem vivo e Mahagonny, de Brecht; Murro em ponta de faca, de Augusto Boal; Um grito parado no ar, de Gianfrancesco Guarnieri e Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra. Durante a década de 80, lançou-se como dramaturgo e escreveu peças de enorme sucesso, como Estrela Dalva (com Marília Pêra) e Lobo de ray-ban (com Raul Cortez e Christiane Torloni). Em 1993, fundou o Teatro Promíscuo com o ator Élcio Nogueira Seixas, companhia que alterna clássicos de Shakespeare, Tchekhov, Beckett e outros grandes autores com obras de novos dramaturgos do Brasil e da América Latina.

O projeto teve início em 2012 com o núcleo de criação da peça Odisseia, direção de Marco Antônio Rodrigues e dramaturgia de Samir Yazbek, em processo colaborativo com o elenco. No ano seguinte, os estudos desenvolvidos ao longo de 18 meses sobre a obra de Homero, concretizou-se na adaptação e montagem de Odisseia, sob o patrocínio da empresa Correios. A dramaturgia foi criada colaborativamente entre o grupo de atores, novamente sob a supervisão do dramaturgo Samir Yazbek.

 

Na edição 2014, a montagem Luz no fim dos muros da cidade... e triste! contou com a direção e dramaturgia de Claudia Schapira. A narrativa surgiu a partir das histórias que os atores compartilharam com a dramaturga sobre situações patológicas urbanas, humanas e universais.

 

Na última turma, formada em 2015, com apresentações realizadas em 2016, o espetáculo SENTA {sobre ser um ser humano} teve a direção do premiado ator e diretor Nelson Baskerville e, novamente, uma criação coletiva do elenco.

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