“A formação do ator deve contemplar, além do conteúdo técnico, também um pensamento crítico, criativo e ético, determinante e historicamente parte do ofício de um artista-criador.”

Célia Helena, atriz, diretora e pedagoga (1936-1997), nasceu em São Paulo e, aos 16 anos, por não poder cursar a recém criada Escola de Arte Dramática – EAD, iniciou seus estudos com Ruggero Jacobbi, diretor italiano, responsável por ministrar um curso de atuação para cinema.

Em 1953, estreou no cinema e, nesse mesmo ano foi convidada para integrar o elenco de Inimigos Íntimos, de Barillet e Grèdy, uma produção da primeira companhia estável do Brasil, o Teatro Brasileiro de Comédia – TBC, com direção de Adolfo Celi. Artista ímpar e atuante, participou dos principais movimentos de vanguarda e renovação do teatro brasileiro da década de 1960: Teatro de Arena, Opinião e Oficina.

Em 1972, paralelamente à atividade de atriz, inicia seu trabalho inovador e pioneiro de formação de jovens, por meio do teatro, com um propósito social e educacional. A iniciativa, baseada na experiência teatral como instrumento para a expressão da individualidade, sempre levou em consideração a troca de saberes para a formação da cidadania, desenvolvimento pessoal, formação humana e cultural.

Em 1977, o trabalho desenvolvido em comunidades no interior do Estado de São Paulo com crianças e jovens, impulsiona a criação de um espaço agregador e de encontro de adolescentes por meio da arte, o Teatro Célia Helena, com cursos de orientação teatral. Um lugar dedicado à criatividade, à sociabilidade, à autonomia criativa e à produção de trabalhos autorais de jovens como sujeitos pensantes e críticos.

Para garantir o reconhecimento do trabalho desenvolvido nos cursos de orientação teatral, Célia Helena dá início ao diálogo com o Sindicato dos Artistas e Técnicos do Estado de São Paulo e com o Ministério do Trabalho, após a regulamentação do artista e do técnico (Lei 6533/78).  Após as articulações, os integrantes do grupo Quem tá vivo sempre aparece (núcleo de jovens do curso de orientação teatral empenhado em criar espetáculos alinhados às questões sociais e culturais) receberam o Registro Profissional de ator/atriz.

Em 1983, a atriz Lígia Cortez, filha de Célia Helena, cria a Casa do Teatro, em que o curso de teatro, como linguagem múltipla, é desenvolvido a partir da interface com as linguagens das Artes da Cena: dança, música, artes plásticas, esgrima, circo, para crianças e jovens, a partir de 4 anos de idade.

Em uma iniciativa pioneira, em 1989, Célia Helena cria o curso técnico de formação de ator/atriz para jovens a partir dos 14 anos, consolidando a oferta de um curso autorizado e reconhecido pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

O legado, os fundamentos pedagógicos e o ideário de criação de cursos para formação artística de jovens foram fundamentais para a continuidade, permanência e reconhecimento do Célia Helena Centro de Artes e Educação.

Para ampliar ainda mais a formação nas áreas artística e de pesquisa, em 2008 a atriz e diretora Lígia Cortez cria a Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), com o curso de graduação, bacharelado em Teatro. Como consequência natural, as ações da ESCH têm como prioridade a valorização dos estudos continuados nas modalidades de Iniciação Científica, Extensão, Pós-graduação lato sensu e sctricto sensu, com o curso de Mestrado Profissional em Artes da Cena.

1986
Prêmio Governador do Estado por Pedro e o Lobo, de Sergei Prokovief – direção de Célia Helena.
Prêmio Mambembe, Prêmio APCA, Prêmio da Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo – Apetesp
1976
Prêmio Molière e Prêmio APCT (Associação Paulista de Críticos de Teatro) por "Pano de Boca", de Fauzi Arap.
1969
Prêmio Governador do Estado e Prêmio APCA por "O Balcão", de Jean Genet.
1968
Prêmio Governador do Estado e Prêmio APCA por "As Moças", de Isabel Câmara.
1964
Prêmio Governador do Estado e Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte ­ – APCA por "Quatro num Quarto", de Valentin Kataiev.
Prêmio de melhor atriz por "Pequenos Burgueses", de Máximo Gorki, no Festival Internacional de Teatro de Atlântida, Uruguai.
1992
"Luar em Preto e Branco", de Lauro César Muniz – direção de Sérgio Mamberti – Teatro Hilton
1991
"Laços Eternos", de Zibia Gasparetto – direção de Renato Borghi – Teatro Ruth Escobar
1990/1991
"Os Pequenos Burgueses", de Máximo Gorki – direção de Jorge Takla – Teatro Procópio Ferreira e teatros estaduais do Brasil
1988
"Pegando Fogo lá Fora", de Gianfrancesco Guarnieri – Direção: Celso Nunes – Teatro Cultura Artística
1984
"Oi Vento… Tudo bem?", de Lígia Camargo Silva – direção de Célia Helena – Teatro Célia Helena
1983
"Rock and Roll", de José Vicente – direção de Antonio Abujamra
1982
"Numa Nice", de Caryl Churchill – direção de André Adler – Teatro ANchieta
1980
"A Nonna", de Roberto Cossa – direção de Flávio Rangel – Teatro Anchieta
1978
"A Missa do Vaqueiro", de Janduhi Finizola – direção de Renato Borghi – Teatro MEC - Funarte
1977
Inauguração do Teatro Célia Helena: "Libel e a Sapateirinha", de Jurandir Pereira – direção de Carlos Augusto Strazzer – teatro infantil no Teatro Célia Helena "O Casamento de Natalina", de Anton Tchecov – direção de Carlos Augusto Strazzer no Teatro Célia Helena
1976
"Sétima Morada", de José Maria Ferreira – direção de José Rubens Siqueira – Teatro Ruth Escobar, escolas da Capital e do Estado e igrejas
"Pano de Boca", de Fauzi Arap – direção de Fauzi Arap – Teatro Treze de Maio
1974/1975
"Autos Sacramentais", de Calderón de la Barca – direção de Victor Garcia – Cia. Ruth Escobar – Excursão à França, Irã e Itália
1973
"E Deus Criou a Varoa", de Oscar Felipe e Roberto Cleto – direção de Oscar Filipe – Projeto Monteiro Lobato – em escolas
1972
"Sambão Didático – De Cabral a Isabel", de Oscar Filipe – direção de Silney Siqueira – Projeto Monteiro Lobato – em escolas
"Panorama Visto da Ponte", de Arthur Miller – direção de Odavlas Petti – Teatro Cacilda Becker
1969/1970
"O Balcão", de Jean Genet – direção de Victor Garcia – Cia Ruth Escobar – Teatro Ruth Escobar
1968
"O Clube da Fossa", de Abílio Pereira de Almeida – direção de Fredi Kleeman - TBC
"As Moças", de Isabel Câmara – direção de Maurice Vaneau – Teatro Cacilda Becker
"Um Dia na Morte de Joe Egg", de Peter Nichols – direção de Antônio Ghigonetti – Cia. Nydia Licia – Teatro Bela Vista
"Círculo de Giz Caucasiano", de Bertolt Brecht – direção de Augusto Boal – Teatro de Arena
1967
"O Estado Militarista, ou A Saída, Onde fica a Saída?", de Ferreira Goulart, Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa – direção de João das Neves – Teatro Opinião, RJ
1965
"Os Inimigos", de Máximo Gorki – direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina
"Festival de Atlântida", no Uruguai, com o repertório do Teatro Oficina.
1964
"Andorra", de Max Frisch – direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina
"Quatro num Quarto", de Valentim Kataiév – direção de Maurice Vaneau – Teatro Oficina
1963
"Os Pequenos Burgueses", de Máximo Górki direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina
1962
"Todo Anjo é Terrível", de Thomas Wolfe – direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina
"Um Bonde Chamado Desejo", de Tennesse Williams – direção de Augusto Boal – Teatro Oficina
1961
"A Vida Impressa em Dólar", de Clifford Odets – direção de José Celso Martinez Corrêa – Teatro Oficina José do Parto à Sepultura, de Augusto Boal – direção de Antônio Abujamra – Teatro Oficina
1960
"Boca de Ouro", de Nelson Rodrigues – direção de Ziembinski, na Cia. Rubens de Falco Dália Palma – Teatro da Federação Paulista de Futebol
1959
"Santa Martha Fabril S.A.", de Abílio Pereira de Almeida – direção de Ziembinski
"O Santo e a Porca", de Ariano Suassuna – direção de Ziembinski
"O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna – direção de Cacilda Becker
"A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas Filho – direção de Benedito Corsi
"Maria Stuart", de Schiller – direção de Ziembinski
"Os Perigos da Pureza", de Hugh Mills – direção de Ziembinski
Em São Paulo, participando do Teatro Cacilda Becker (no Teatro Leopoldo Fróes) e em excursão ao Norte do Brasil e em Portugal (no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e no Teatro Tívoli, em Lisboa) os espetáculos:
1958
"O Marido Confundido", de Molière – direção de Ruggero Jacobbi – Teatro Moderno de Comédia – Teatro de Cultura Artística
"Do Outro Lado da Rua", de Augusto Boal – direção de Flávio Rangel – Teatro Experimental - TBC
"Matar", de Paulo Hecker Filho – direção de Walmor Chagas – Teatro Experimental - TBC
1957
"Tragédia para rir", de Guilherme de Figueiredo – direção de Evaristo Ribeiro – Teatro Moderno de Arduini Lemos – Teatro da Federação Paulista de Futebol
1956
"Não te Assusta Zacharias!", direção de Barbosa Lessa – Grupo Folclórico Brasileiro – Excursão ao Rio Grande do Sul; em São Paulo, no Teatro Maria Della Costa
1955
"A Ilha dos Papagaios", de Sérgio Tofano (STO) – direção de Gianni Ratto – Teatro Maria Della Costa
"O Prazer da Honestidade", de Luigi Pirandello – direção de Carla Civelli – Teatro de Arena
"Os Três Maridos de Madame", de Ciro Bassini – direção de Carla Civelli – Teatro Permanente das 2ªs feiras – Teatro Leopoldo Fróes
1953
"Inimigos Íntimos", de Barillet e Grèdy – direção de Adolfo Celi – TBC, Rio de Janeiro
1982
"Das Tripas Coração", de Ana Carolina – direção de Ana Carolina
1975
"O Predileto", do romance de João Alphonsus, adaptação Roberto Palmari e Roberto Santos –direção de Roberto Palmari
"Cordélia, Cordélia", da peça de Antônio Bivar, adaptação Rodolfo Nanni – direção de Rodolfo Nanni
1971
"A Virgem", de Dionísio Azevedo – direção de Dionísio Azevedo
1973
"Anjo Loiro", do romance de Heinrich Mann, adaptação de Juan Siringo e Alfredo Sternheim – direção de Alfredo Sternheim
1954
"Chamas no Cafezal", História de Mário Civelli, adaptação de Antônio José e Marcos Mergulies – direção de José Carlos Burle.
"Floradas na Serra", do romance de Dinah Silveira de Queiroz, adaptação de Fabio Carpi – direção de Luciano Salce.
1953
"Fatalidade", de Jacques Maret – direção de Jacques Maret.
1995
Você Decide: episódio "O Grande Homem"
1987
"Direito de Amar" (TV Globo), personagem Violante, de Janete Clair, Ana Maria Moretzsohn, Walter Negrão, Alcides Nogueira, Marilu Sandanha – Direção: Jayme Monjardim e José Carlos Pieri
"Mandala" (TV Globo), personagem Ceres Silveira, de Dias Gomes, Marcílio Moraes e Lauro César Muniz – Direção: José Carlos Pieri, Fábio Sabag e Ricardo Waddington
1985
"Jogo do Amor" (SBT), de Azis Bajur e José Rubens Siqueira – Direção: Antonino Seabra
1984
"Partido Alto" (TV Globo), personagem Izildinha, de Glória Perez e Aguinaldo Silva – Direção: Carlos Magalhães, Jayme Monjardim, Luiz Antônio Piá e Roberto Talma
"Casal 80" (Bandeirantes), Seriado – Direção: Roberto Talma
1983
"Sabor de Mel" (Bandeirantes), de Jorge Andrade e Jaime Camargo – Direção: Roberto Talma
1982
"Campeão" (TV Bandeirantes), personagem Ester, de Jaime Camargo e Marcos Caruso – Direção: Álvaro Fugulin e Sérgio Galvão
1981
"Brilhante" (TV Globo), personagem Regina, de Leonor Bassères, Gilberto Braga e Euclydes Marinho – Direção: Daniel Filho, Marcos Paulo e José Carlos Pieri
1979
"Malu Mulher" (TV Globo). Seriado, episódio: "As amigas" – Direção: Denis Carvalho
1976
"Canção para Isabel" (TV Tupi), personagem Maria Carolina, de Heloísa Castellar – Direção: António Moura Mattos
1975
"Vila do Arco" (TV Tupi), personagem Severina, do romance de Machado de Assis, adaptação Sérgio Jockyman – Direção: Luiz Gallon
1972
"O Príncipe e o Mendigo" (TV Record), da novela de Mark Twain, adaptação Marcos Rey – Direção: Dionísio Azevedo
1971
"Quarenta Anos Depois" (TV Record), de Lauro César Muniz
"Pingo de Gente" (TV Record), de Raimundo Lopes
"Editora Mayo, Bom-dia" (TV Record), de Walter Negrão
1970
"Tilim" (TV Record), personagem Lavínia, de Dulce Santucci – Direção: Wanda Kosmo
1968
"O Décimo Mandamento" (TV Tupi), de Benedito Ruy Barbosa – Direção: Antonio Abujamra
1958
"Grande Teatro Cacilda Becker" (TV Record)
1956
"Grande Teatro Três Leões" (TV Tupi)
1955
"Grandes Teatros das Segundas-feiras" (TV Paulista), textos variados - Direção: Ruggero Jacobbi
1954
"Teatro da Semana" (TV Paulista) - Direção: Antunes Filho